Se por qualquer motivo você não faz questão de ter seu CPF nas notas fiscais, não deixe de pedir uma nota fiscal. Além, é claro, de ser uma forma de se certificar de que a empresa está cumprindo com suas obrigações fiscais, você pode aproveitar a oportunidade e doar a nota para uma entidade de assistência social sem fins lucrativos!
O site da Secretaria da Fazenda de São Paulo nos informa que , para isso, “o consumidor que quiser fazer a doação deve pedir a nota sem o CPF e encaminhá-la para a entidade que quiser beneficiar. Ou então ele próprio pode cadastrá-la no sistema da NFP em favor da instituição”.
A instituição, por sua vez, que quiser usufruir desse benefício precisa estar cadastrada na Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (SEADS) e no sistema da Nota Fiscal Paulista.
Aparentemente, o Programa Nota Fiscal Paulista devolve 30% do ICMS efetivamente recolhido pelo estabelecimento a seus consumidores – ou a quem as notas forem doadas!
Mais informações em http://www.fazenda.sp.gov.br/publicacao/noticia.aspx?id=764.
Abrax!
Filed under: ecodesign, iniciativas, reciclagem | Tags: aspiradores, plástico nos oceanos, reciclagem de plástico
A Electrolux lançou recentemente uma linha de aspiradores produzida com plástico retirado do oceano!
A linha se chama “Vacs from the Sea” (Aspiradores do Mar) e tem cinco modelos, cujos nomes fazem referência ao local de onde o plástico foi retirado: Mar do Norte, Oceano Índico, Mar Medietrrâneo, Oceano Pacífico e Mar Báltico.
Apesar de serem completamente funcionais, ele não serão colocados à venda. De acordo com o blog da revista Info, eles “serão apresentados em eventos em todo o mundo para tentar conscientizar as pessoas do paradoxo do plástico: enquanto os oceanos estão cheios dele, aqui em terra há uma carência de plástico reciclado para produzir os aspiradores de pó”.
A venda desses produtos seria, no melhor dos casos, um incentivo financiado pelo consumidor de retirada de dejetos feitos de plástico dos mares e oceanos. Isso seria ótimo, sim, mas não seria uma solução sustentável. O ideal, como os próprios idealizadores do projeto afirmam, seria que a população se conscientizasse da necessidade da reciclagem do plástico. A Electrolux inclusive tem uma linha de aspiradores – essa sim comercializada – que é feita com 70% de plástico reciclado e que já é vendida no Brasil (veja o produto no site da Wal Mart).
Agora só falta ter conscientização e demanda!
Para mais informações, http://geracaosustentavel.com.br/2010/11/03/eletrolux-aspirador-de-plastico-retirados-dos-oceanos/.
Abrax!
Filed under: ecodesign, iniciativas, reciclagem | Tags: ecobags, sacolas de plástico, sacolas reutilizáveis, sacos de lixo degradáveis
A pergunta parece ter uma resposta óbvia – sim! -, mas a questão não é tão simples assim. Dependendo de como e onde ela for fabricada e de como você a utiliza, ela pode ser bem menos verde do que você imagina.
Hoje em dia está super na moda ter sacolas reutilizáveis. Elas vêm em vários tipos de materiais – pano, plástico, papel, lona – e algumas delas são muito bonitas. Elas têm estampas com slogans ambientais e toda pinta de serem substitutas mais ecológicas para as famigeradas sacolinhas descartáveis de plástico. E não é nem preciso comprá-las: em vários lugares, elas são distribuídas gratuitamente. E isso não é ótimo? Substituir as velhas sacolinhas de plástico por lindas sacolas reutilizáveis não é sustentável?
Depende. Em primeiro lugar, você deve se perguntar como foi feita sua sacola. Encontrar sacolas que sejam realmente “verdes” é um desafio. As sacolas de plástico podem ser mais ecológicas de fabricar do que as feitas de algodão ou lona, as quais requerem muita energia e água e podem conter tinturas químicas pesadas, mas ainda assim são de plástico e levarão anos para se decompor. As sacolas de papel, por sua vez, requerem a destruição de milhões de árvores e são feitas em fábricas que contribuem para a poluição do ar e da água.
Outra questão é saber onde foi produzida sua sacola. Muitas dessas sacolas reutilizáveis baratas são feitas na China a partir de materiais que chegam a levar 28 vezes mais energia do que as sacolinhas de plástico – isso sem mencionar todo o combustível gasto em transporte e a incerteza das condições sociais em que as sacolas foram manufaturadas.
Agora talvez o pior problema seja o hábito do consumidor: quem já não foi ao mercado e percebeu, na hora de pagar pelas compras, que se esqueceu das sacolas reutilizáveis em casa? Se essas sacolas não forem reutilizadas, elas podem ser piores do que suas substitutas, já que, além de usar as sacolinhas de plástico, você ainda tem umas quatro sacolas reutilizáveis paradas em casa que também levarão anos para se deteriorar.
Como garantir, então, que uma sacola reutilizável seja, de fato, “verde”?
- Verifique o material a partir do qual ela foi confeccionada. Dê preferência a sacolas feitas de materiais recicláveis – e acima de tudo RECICLADOS! Assim, não estamos gerando mais matéria para contribuir com a poluição do mundo, mas sim reutilizando matérias que seriam descartadas e que ganham novos usos!
- Prefira sacolas que são produzidas localmente – e não aquelas que vêem da China, por exemplo. Essa é uma forma de valorizar a coleta seletiva de sua cidade, assim como as cooperativas de reciclagem locais. Verifique inclusive se há informações na etiqueta da sacola sobre quem é a instituição responsável por aquele produto e procure sabem mais sobre a instituição na internet.
- Leve ao menos uma dessas sacolas com você todos os dias, em sua mochila, em sua bolsa, em seu carro! A gente nunca sabe quando vai precisar comprar algo! Se cada sacola for usada várias vezes – ao menos uma vez por semana -, quatro ou cinco sacolas reutilizáveis podem substituir 520 sacolas de plástico por ano, imagine só!
- Se você é mais adepto das grandes compras em supermercados, talvez a sacola reutilizável não seja, de fato, ideal para você. Mesmo assim, não use sacolinhas de plástico: peça por caixas de papelão – todo supermercado tem!
Muitas pessoas deixam de usar sacolas reutilizáveis com o pretexto de que, depois das compras, utiliza as sacolinhas descartáveis para colocar lixo. Essas sacolas vão então parar no aterro sanitário e levam anos e anos para se decompor. E cada brasileiro joga cerca de 880 sacolinhas no lixo por ano!!! O ideal para o descarte do lixo orgânico são os sacos de lixo biodegradáveis. Há sacos biodegradáveis que são fabricados no Brasil e eles podem ser encontrados em vários supermercados e até na internet. Sim, eles são mais caros (um pacote com 50 custa por volta de R$ 15,00). Mas lembra daquela história do “barato que sai caro”? É a sustentabilidade da nossa existência neste planeta que está em jogo.
Mais informações em: http://online.wsj.com/article/SB122238422541876879.html, http://www.ufrpe.br/ruralnamidia_ver.php?idConteudo=7462, http://www.paodeacucar.com.br/detalhe.asp?categoria=catPascoa&subcategoria=catAzeites&idproduto=4937722.
Abrax!
Filed under: arte, links | Tags: Christopher Locke, designed for the dump, Fósseis modernos, Modern fossils, projetado para o lixo
“Estes são fósseis modernos. Eles são feitos de tecnologia real arcaica que um dia foi de ponta. A maior parte desses exemplos foi descoberta nos Estados Unidos, apesar de que várias espécies estão representadas no mundo todo. É triste, mas a maior parte desses itens teve uma vida muito curta. A maioria das pessoas atribui sua diminuta duração a predadores agressivos ou à evolução acelerada, mas isso não é necessariamente verdade. Foi recentemente mostrado que o verdadeiro fim desses espécimes veio do consumismo e do desperdício desenfreados no topo da cadeia alimentar”.
Essa é a introdução que o artista Christopher Locke dá à sua obra “Fósseis Modernos”. Os exemplares, reproduzidos em uma mistura de concreto e “outros ingredientes secretos”, são o próprio exemplo daquilo que Annie Leonard chama de “designed for the dump” (projetado para o lixo) no “The Story of Electronics”.
Em quanto tempo será que nossos laptops e iPhones se transformarão em “fósseis modernos”? Até quando continuaremos a projetar para a não-durabilidade?
Mais “fósseis modernos” em http://heartlessmachine.com/section/79989_Modern_Fossils.html.
Abrax!
Filed under: iniciativas, legislação, reciclagem | Tags: cd, dvd, reciclagem de cds
Provavelmente você também tem em sua casa uma montanha de CDs que não utiliza mais e não tem a mínima ideia do quê fazer com eles. Dá pra reciclar CD? Se pensarmos nos materiais que compõem o CD – metais e plástico -, a resposta é sim, o CD é reciclável. Entretanto, como a relação custo-benefício dessa operação ainda parece ser discutível, milhões e milhões de CDs e DVDs ainda têm como destino final o aterro sanitário, levando cerca de 450 anos para se decompor.
Se esta é a situação hoje, o que pode de fato ser feito? Em primeiro lugar, é preciso que sejam avaliadas as responsabilidades dos fabricantes de distribuidores desses produtos no que diz respeito ao destino final dos resíduos dessa indústria – algo como a lei 13316-02 de São Paulo sobre embalagens plásticas e outros. Também poderiam ser pensadas formas de incentivo para catadores e recicladores destes produtos.
E, no que nos toca como consumidores, é preciso repensar o consumo desenfreado desse tipo de mídia. Nas palavras de Ricardo Richinni, essa é uma atitude “que pode ser simples, diminuindo a quantidade de dados desnecessários que são armazenados, revendo a necessidade de comprar CDs com informações disponíveis na internet, compra de produtos piratas apenas por conta de seu baixo custo (mas que você nunca vai assitir novamente)”. Além disso, nós mesmos podemos reaproveitar CDs e DVDs dando-lhes outros usos. Vejam fotos de “reinvenções do CD”:
Leia mais em http://www.setorreciclagem.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=412.
Sobre a lei 13316-02, veja http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/813728/lei-13316-02-sao-paulo-sp.
Fotos dos produtos de http://www.revistaartesanato.com.br/reciclagem/13-maneiras-criativas-de-reciclar-cds-e-dvds/11.
Abrax!
Filed under: iniciativas, reciclagem, serviços | Tags: radiografia, reciclagem
Radiografias não só são recicláveis como escondem um tesourso: prata! O metal precioso fica espalhado em uma fina camada sobre a película e é responsável pela produção da imagem na radiografia! Incrível, não?
Em uma entrevista, o empresário Albert Reuben conta que o metal custa em torno de R$ 1,2 mil o quilograma e que sua empresa consegue extrair cerca de 500 quilos de prata por mês. Fez as contas? Eu também. No entanto, seu investimento inicial foi de R$ 300 mil. Além dos fornos é preciso comprar tanques de limpeza e montar uma estação de tratamento de água. São necessárias licenças ambientais para a fábrica funcionar. Toda água usada na limpeza das chapas têm que ser tratadas antes de parar na rede de esgotos ou reutilizada nos tanques de limpeza. Ainda assim, ele afirma que “a prata paga tudo”.
A prata extraída é vendida para joalherias. E como depois de retirado o metal das chapas ainda restam os plásticos, eles são transformados em caixinhas para presentes!
“É interessante porque algo que seria jogado fora dá para criar, fazer um material nobre e ter uma valia tão boa no mercado”, garante André Gonçalves. O que prova que ser “ecochato” não é coisa só de “pobres sonhadores”, mas também de empreendedores visionários.
Segue o enedereço de um posto de coleta de radiografias:
Instituto Central do Hospital das Clínicas de São Paulo
Prédio dos Ambulatórios – térreo
Av. Dr. Enéas de Carvalho, 255
(próximo à Estação Clínicas do Metrô)
*Funciona das 8:00 às 17:00 horas.
Leia a matéria completa em http://pegntv.globo.com/Jornalismo/PEGN/0,,MUL1628545-17958,00-RECICLAGEM+DE+RADIOGRAFIAS+VIRA+JOIAS+E+EMBALAGENS.html. E mais informações em http://www.espacoecologiconoar.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=15729&Itemid=46.
Abrax!
Por mais insustentáveis que sejam, as luzinhas de Natal parecem ser inevitáveis, não? Poucos conseguem resisitr ao seu charme nessa época do ano rsrsrs
No entanto, não tem usina hidrelétrica que dê conta de gerar toda essa energia. Por isso, luzinhas de LED para sua árvore de Natal!
As lâmpadas de LED (diodo emissor de luz) são menores que as “normais”, mas são bem mais fortes e gastam até 10 vezes menos (!!!) . Sim, elas são mais caras. Mas além de serem mais difíceis de quebrar, elas não esquentam e duram muito, muito mais (cerca de cem mil horas!).
Há empresas no Brasil mesmo que manufaturam tais lâmpadas – inclusive a GE recentemente elegeu o Brasil para sediar sua fábrica de lâmpadas LED -, e elas são comercializadas em vários lugares – inclusive em sites como Mercado Livre e Shopping UOL.
A tecnologia LED é de tal durabilidade e represental tal redução de gastos que está sendo utilizada inclusive em semáforos na cidade de São Paulo.
Leia mais em http://dinheiroereciclagem.com/substituir-luzes-de-natal/, http://www.nhandu.com.br/atitudeverde/exibe.php?id=1148, http://www.vivaocentro.org.br/noticias/arquivo/161110_d_infonline.htm e http://www.brasileconomico.com.br/noticias/ge-elege-o-brasil-para-sediar-fabrica-de-lampadas-led_88680.html
Abrax!
Filed under: ecodesign
Eu não sei se é verdade que produto de limpeza é 95% água, mas qualquer que seja a porcentagem de água em um frasco de Veja, por exemplo, é óbvio que estamos pagando por algo a que temos acesso na pia da nossa casa e com um valor beeeeeeem mais em conta.
A Replenish (http://myreplenish.com/) resolveu “repensar o frasco” e lançar um frasco reutilizável. Ele vem apenas com uma medida concentrada do agente de limpeza e cabe ao consumidor preencher o restante do frasco com água. Além de economizar financeiramente por não pagar pela água, a ideia é também sustentável, pois você pode comprar apenas a recarga quando o produto acabar – e não um novo frasco. Isso sem mencionar que frascos mais leves têm impacto inclusive na quantidade de combustível utilizado para seu transporte.
A ideia é excelente, mas não é exatamente nova para nós. Em muitos bairros da cidade de São Paulo podemos encontrar esses pequenos “distribuidores” de produtos de limpeza que também vendem produtos concentrados em garrafas pet reutilizadas. E isso é sustentável? Só se você conhecer a procedência e a formulação do produto, já que sustentabilidade é um conceito relacionado também à saúde pública e os perigos dos tais “produtos clandestinos” são frequentemente ressaltados.
Leia mais sobre o Replenish em http://www.gizmodo.com.br/conteudo/comprar-uma-garrafa-vazia-de-produto-de-limpeza-nao-e-uma-idiotice
Leia também sobre os riscos dos produtos “clandestinos” em http://revoada.com/produtos-minuano-produtos-limpeza-minuano-minuano-limpeza/
Abrax!
Sempre que eu vou ao supermercado e começo a colocar produtos no carrinho, fico com uma pulga atrás da orelha. Afinal, o que eu sei de fato sobre aquele produto que estou comprando, além da informação que a empresa que o produz me dá? Qual será seu impacto ambiental? Será que ele pode fazer algum mal à minha saúde? Qual é a situação de trabalho das pessoas envolvidas em sua produção?
É claro que no fim das contas acabo escolhendo os produtos com base em notícias que leio sobre essa ou aquela empresa, ou nos selos e certificados expostos nas embalagens, mas sempre fico pensando em como seria legal ter todas as respostas para minhas perguntas organizadinhas em um site que eu pudesse acessar do mercado…
Bom, que eu saiba, no Brasil ainda não tem. Mas nos EUA tem! O site é o http://www.goodguide.com/. Ele traz informações sobre saúde, meio-ambiente e sociedade sobre vários tipos de produtos, desde cuidados pessoais, passando por alimentos, e até brinquedos! No site há também informações sobre a metodologia que eles usam para avaliar os produtos. E o mais prático de tudo é que você pode fazer o download do aplicativo para o seu iPhone.
Dando uma olhada nas avaliações dos produtos, fiquei absolutamente surpreso com diversas delas. Por exemplo, para quem usa lentes de contatos, olha só essa avaliação do ReNu:
Ou se você gosta da sopa de tomate da Campbell’s:
http://www.goodguide.com/products/255529-campbells-tomato-soup#
Será que não tem mesmo um desses aqui no Brasil? Ou não conseguimos viabilizar um?
Abrax!
Há uma semana foi lançado o “The Story of Electronics”, documentário animado escrito pela ativista Annie Leonard, que já havia conseguido muita atenção com o seu “The Story of Stuff”.
Nesse novo documentário, Annie afirma que as empresas que manufaturam eletrônicos fazem uso do “bad design” (design ruim) como uma estratégia para vender mais. Como assim? É o que ela chama de “designed for the dump” (algo como “projetado para o lixo”): a forma como tais produtos são projetados e manufaturados garante que eles terão uma vida útil de cerca de 18 meses, o que leva os consumidores a comprarem produtos novos com a mesma frequência. Isso não está relacionado apenas à indústria dos eletrônicos, mas é um conceito central em nossa economia insustentável.
No que diz respeito aos eletrônicos, em diversos países já foram aprovadas as chamadas “take back laws” (leis de recolhimento): empresas que manufaturam, importam e vendem eletrônicos são legalmente obrigadas a viabilizar o recolhimento do produto quando do fim de sua vida útil. Diretamente, essa seria uma forma de compartilhar a responsabilidade pelo lixo produzido entre o setor público e o privado. Indiretamente, esse é um desafio para o design para a sustentabilidade: se as empresas de fato forem obrigadas a internalizar esse custo, sua forma de pensar o projeto do produto possivelmente passará a ser muito diferente. E se o “design for the dump” está realmente com os dias contados, será que não é hora dos designers darem ênfase para projetos de produtos sustentáveis em escala industrial?
Abrax!



















